PARTICULAS DOURADAS NUM MUNDO QUASE SEMPRE VESTIDO DE PRETO


Um novo modelo quântico foi recentemente revelado pela comunidade científica e vem afirmar que o Big Bang não aconteceu, o Universo não tem princípio nem fim, e a partícula infinitamente pequena que lhe terá dado origem (liricamente apelidada por Einstein de “singularidade”) nunca existiu. Sem antes nem depois, sem história nem memória, sem tempo nem espaço, o que vemos (logo, o que somos), não passa de uma imensidão neutra e infinita, ao mesmo tempo material e imaterial, uma só particularidade transformada numa só universalidade. Sem dentro nem fora, sem linha nem fronteira, proponho para esta peça um não-lugar desprovido de qualquer referência histórica, cultural e vivencial; um espaço inútil, não necessariamenre vazio, mas sem razão nem aparência; um espaço mais “questionante” que questionável, onde presença e co-presença se (con)fundam. Ocultação e revelação são finalmente sinónimos: matéria negra. Proponho também uma materialização corporal que faça de mim extraterreste no meu próprio mundo, entidade circunstancial em permanente estado de (i)migração, à procura incessante de um paraíso perdido: a luz dourada ao fundo do túnel é só mesmo outro túnel, e outro, e outro... Proponho por fim uma espécie de síndrome-do-primeiro-olhar (ou da-primeira-vez) transformado em “espectáculo”: um momento que é ao mesmo tempo solidão e semelhança, e ao mesmo espaço simulacro e simulação. 
De quanta ilusão precisamos para sobrevi(Ver)? Os físicos que descobriram a não-origem do Mundo diriam: como nunca nada aconteceu, tudo o que surge será sempre novo.

_


A new quantum model has been recently revealed by the scientific community and has affirmed that the Big Bang did not happen, the universe has no beginning or end, and the infinitely small particles that have given it birth (lyrically dubbed by Einstein's "uniqueness") never existed. No before or after, without history or memory, without time or space, what we see (and therefore what we are), is only a neutral and infinite immensity, both material and immaterial, one particularity transformed into one universal. No inside or outside, without line or border, I propose to this piece a non-place devoid of any historical reference, cultural and experiential; a useless space, not necessarily empty, but without reason or appearance; a space more "bickering" that questionable, where presence and co-presence (con)fuse themselves. Concealment and revelation are finally synonyms: dark matter. I also propose a bodily materialization that make me extraterrestrial in my own world, circumstantial entity in a state of (im) migration, the constant search for a lost paradise: the golden light end of the tunnel is really only another tunnel, and another, and another ... I propose finally a kind of syndrome-of-the-first-look (or Prime time) turned into "show": a moment that is both solitude and likeness, and at the same space simulacrum and simulation.
How much illusion we need to Survive? Physicists have discovered the source of the non-World would say, as nothing ever happened, everything that arises will always be new.

Conception, direction and interpretation Joana Castro
Original and live music Flávio Rodrigues and Joana Castro
Text and documentation Rogério Nuno Costa
Light design Alexandre Vieira
Residency Palcos Instáveis
Photography José Caldeira
Performance photography José Caldeira
Greetings F. Ribeiro, Fábio Ferreira, Nuno Preto and Raquel Ferreira