A PRAÇA de Né Barros



A praça, em geral, é um lugar particular pelo tipo de vivências que ali se podem perceber. Como é um espaço circunscrito, foca-nos a atenção, mesmo quando é apenas lugar de passagem, a praça parece reflectir uma espécie de condição nómada do humano e do seu perpétuo movimento. A praça torna-se numa paisagem viva e regular na sua irregularidade. Ao mesmo tempo, a praça é um lugar que evoca múltiplas histórias e ideal na construção de personagens. Este espaço artificial é portanto indissociável da presença, é a presença que faz dele lugar de vivência e lugar da memória e é neste plano que também a praça, se transforma numa metáfora do próprio espaço de representação que é o palco e que é o próprio Actor. O actor é o tema, como nos diz Deleuze, e talvez repitamos continuamente o gesto de explorar o Outro fazendo dos contextos e das matérias que circundam o actor apenas novos conflitos para descobrir mais que Um rosto, mais que uma marca identitária. A praça, zona também critica e de conflito.
Neste projecto, existe uma praça concreta que capta o quotidiano da famosa praça, Djema el Fna em Marraquexe. Nesta praça é possível assistir desde uma diversidade cultural à sua transfiguração do dia para noite, uma festa contagiante plena de vitalidade. Em palco, existe uma praça subjectiva que colhe influências da praça projectada, mas
que é autónoma e lhe co-existe.

Direcção e coreografia → Né Barros
Vídeo → Daniel Blaufuks
Musica e interpretação ao vivo → Alexandre Soares e Jorge Queijo
Desenho de luz → José Álvaro Correia
Guarda-roupa → Maria João Sopa
Intérpretes → Ángel Montero Vázquez, Joana Castro, Katja Juliana Geiger, Pedro Rosa
Coordenação técnica → Alexandre Vieira
Apoio edição Vídeo → Susana Andrez
Produção executiva → Patrícia Caveiro
Produção →balleteatro
Co-produção →Culturgest